Quando a mente quebra: crimes reais cometidos por pessoas fora do próprio juízo
Por que pessoas comuns, sem histórico criminal,
cometem barbaridades e o que isso diz sobre todos nós
"E se a próxima pessoa a cometer um crime
horrível fosse alguém que você ama? Ou você mesmo?"
Não feche essa página ainda, isso não é
sensacionalismo barato, é ciência, é jurisprudência, é mais comum do que você
imagina, existe um limiar dentro do cérebro humano, um ponto de ruptura
silencioso, invisível que quando ultrapassado, desliga a parte de nós
responsável por distinguir o certo do errado, o real do imaginário, o humano do
monstruoso.
O que acontece depois disso já foi chamado de
maldade, de fraqueza, de covardia, mas médicos, psiquiatras e juízes ao redor
do mundo têm chegado a uma conclusão muito mais perturbadora:
Às vezes, a pessoa que cometeu o impensável
simplesmente não estava mais presente dentro de si mesma quando o fez.
Prepare-se, o que você vai ler a seguir é real,
documentado e, de certa forma, mais assustador do que qualquer ficção.
Era uma manhã comum no Rio de Janeiro, 2 de
fevereiro de 2014.
Eduardo Coutinho, um dos maiores cineastas do
Brasil, autor de obras premiadas internacionalmente, foi morto a facadas dentro
de seu próprio apartamento, o assassino não era um desconhecido, não! Não era
um criminoso de rua, era Daniel, seu filho, Daniel não parou por aí, tentou
matar a própria mãe, que se trancou no banheiro e ficou ouvindo o horror
acontecer do lado de fora da porta.
A defesa não precisou inventar nada, os laudos
foram claros: Daniel estava em surto psicótico agudo, um ano depois, ele foi absolvido
sumariamente, o juiz
reconheceu que ele era inimputável, incapaz, naquele momento, de responder
juridicamente por qualquer coisa que tivesse feito, hoje, Daniel cumpre medida
de segurança em hospital psiquiátrico.
Ninguém saiu vencedor dessa história, nem a família,
nem a justiça, muito menos o Daniel.
A mãe que acreditava estar salvando
os filhos
Do outro lado do mundo, nos Estados Unidos, em
2001, Andrea Yates afogou os cinco filhos na banheira de casa, um por um, o
caçula tinha apenas 6 meses, o que poderia justificar algo assim? Absolutamente
nada, exceto que Andrea não estava no mesmo plano de realidade que o resto de
nós, após anos de depressão pós-parto severa, psicose e internações sem
acompanhamento adequado, ela havia desenvolvido a crença inabalável de que
estava salvando as crianças.
Em sua mente destruída pela doença, o diabo iria
dominá-las se ela não agisse, após anos de julgamentos que dividiram os Estados
Unidos, Andrea foi considerada inimputável por insanidade, está internada até hoje, ninguém
consegue olhar para esse caso sem sentir o estômago revirar, não de raiva, mas
de algo ainda mais desconfortável: incompreensão total.
Na psiquiatria forense existe um termo chamado "amok",
palavra de origem malaia que descreve um fenômeno universal e aterrorizante, uma
pessoa sem histórico criminal, muitas vezes vista como tranquila e reservada
pelos vizinhos, de repente entra em colapso total e começa a atacar pessoas
aleatoriamente, desconhecidos, familiares, colegas de trabalho.
Sem planejamento, sem motivo aparente, como se algo
tivesse partido lá dentro, esse fenômeno é reconhecido pelo DSM, o
principal manual de diagnósticos psiquiátricos do mundo, e não é exclusivo de
nenhuma cultura, classe social ou faixa etária, o padrão se repete: pressão
acumulada por meses ou anos, isolamento, ausência de suporte, e então, um
gatilho aparentemente pequeno que faz tudo desabar de uma vez.
O que o estresse extremo faz com
o cérebro?
Isso não é metáfora, é neurociência.
Quando o corpo é submetido a estresse crônico e
severo, o nível de cortisol, o hormônio do estresse, sobe a patamares que
literalmente danificam o córtex pré-frontal, a parte do cérebro
responsável pelo julgamento moral, pelo autocontrole e pela capacidade de
prever consequências, ao mesmo tempo, a amígdala, o centro primitivo do
medo e da raiva, entra em modo de sobrevivência total.
O resultado? Uma pessoa que, do ponto de vista
neurológico, não é mais quem era.
O estresse extremo, traumas emocionais e eventos de
vida altamente estressantes podem desencadear episódios psicóticos completos, mesmo
em pessoas sem nenhum diagnóstico anterior, privação de sono prolongada,
isolamento social, perdas devastadoras: cada um desses fatores, sozinho, já é
capaz de empurrar uma mente vulnerável para além do limite, situações como
perda de emprego, divórcio ou morte de um ente querido figuram entre os
principais gatilhos documentados de surtos psicóticos. Não é fraqueza, é biologia.
Aqui é que mora o debate mais honesto e mais
difícil, nos últimos anos, o termo "surtou" virou quase um eufemismo
conveniente, quando alguém comete um absurdo, a justificativa aparece pronta,
como um escudo, e isso é um problema real.
A Justiça brasileira exige rigor total nesses casos,
quando alguém alega insanidade no momento do crime, é instaurado o incidente
de insanidade mental, um exame médico-legal, conduzido por peritos forenses
que precisam comprovar, não que apenas existe um transtorno, mas que foi
esse transtorno, naquele momento específico, que desencadeou o ato criminoso.
Não é uma porta aberta, comprovado o estado de
inimputabilidade, o réu não vai para a prisão comum, mas também não sai livre,
cumpre medida de segurança em hospital de custódia psiquiátrico, com
prazo indeterminado, até que peritos confirmem que não representa mais risco.
Esses casos deixam uma sensação estranha, difícil
de nomear, não é pena, não é raiva, é algo que fica no meio, aquele desconforto
de perceber que a linha entre "pessoa normal" e "pessoa capaz do
impensável", pode ser muito mais tênue do que gostaríamos de acreditar.
A pergunta que nenhum de nós quer fazer em voz alta
é a mais importante:
O que nos protege de chegar lá?
A resposta, segundo a ciência, é mais simples e
mais urgente do que parece: conexão
humana, suporte emocional, acesso a saúde mental e a disposição de
enxergar os sinais antes que o limite seja alcançado.
Em nós mesmos e nas pessoas ao nosso redor.
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lendo esses casos? Já conheceu alguém que chegou perto desse limite?
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