O dia em que minha mente "fritou" e eu desafiei a morte
![]() |
| Joaquim Nunes de Oliveira, número 30. |
O ano era 1972, eu era um adolescente (doze anos) equilibrando entre dois mundos: estudando a noite no Ginásio Industrial, na Avenida Eugenio Salerno (onde hoje pulsa o campus da Uniso), e nas noites e madrugadas, o trabalho árduo como entregador de pão na Padaria Santa Terezinha, ali na esquina da Joaquim Nunes com a General Carneiro.
Era um domingo comum, por volta das dez da manhã, eu estava na garagem, lavando a Kombi de entregas para deixá-la brilhando para a segunda-feira, o sol de Sorocaba começava a esquentar quando o destino resolveu pregar uma peça violenta, na minha mente, o estopim do ensejo, ao jogar água no teto da Kombi, um spray involuntário atingiu um homem com o carro estacionado na porta da garagem.
Era um policial à paisana, visivelmente embriagado, que não aceitou minhas desculpas e o que se seguiu foi um desfile de insultos e ofensas, que fizeram meu sangue ferver, mas o mundo parou de vez quando ele sacou a arma, “na verdade esse momento eu não vi, me foi contado depois, quando ele me falou que ia bater na minha cara pra eu aprender a ser homem, eu fui pra cima dele.
Naquele momento, meu cérebro "fritou", a lógica desapareceu, eu não vi a arma; vi apenas a humilhação, instintivamente, agarrei a primeira "arma" que encontrei: um pedaço de pau de eucalipto, curto como um porrete, usado no forno da padaria, com o ódio no comando, fui para cima do homem que saía do carro.
O resgate e o colapso, a tragédia só não aconteceu porque o dono do posto em frente e um grande amigo da minha família, interveio, ele, que sempre foi meu conselheiro e amigo, tirou o pedaço de pau da minha mão e enfrentou o sujeito, que também era conhecido dele, até ele ir embora.
Mas o estrago na minha mente já estava feito, o agressor partiu, mas o ódio ficou represado dentro de mim, eu não conseguia mais coordenar os pensamentos; estava desorientado, trêmulo, em um estado de choque que meu corpo não suportava, então me levaram às pressas para o PS do Hospital Regional.
Quando finalmente "voltei" (recobrei os sentidos), o cenário era desolador: eu estava jogado em uma maca no corredor do hospital, sentindo cada músculo do corpo como se tivesse sido moído, eu estava "troncho", dolorido e sob a vigilância silenciosa de um colega de trabalho que estava ali para garantir que eu não apagasse de vez.
A lição de minha assustadora-mente
Hoje, mais de 50 anos depois, ainda sinto o peso daquele pedaço de pau na mão e o frio daquela maca no corredor, aquele episódio me ensinou que o ser humano é capaz de atos heroicos e terríveis em frações de segundos.
Minha mente tentou me proteger da intimidação com uma agressividade suicida, e o preço foi o colapso físico total, naquele domingo de 1972; eu conheci os limites da minha própria sanidade.
A padaria não existe mais, só o prédio abandonado, o portão da garagem ainda está la, não é o mesmo, mas ainda está lá, o posto do Zequinha ainda está la, com certeza sob novo comando.
As vezes, passo por ali e dá uma saudade do meu tempo de “pica fumo”, meu apelido, dado pelo meu patrão, muitos não davam importância para aquele mirrado e magrelo moleque, mas que carregava uma força descomunal dentro de si, sozinho no mundo, assessorado pela vida, minha professora, e moldado pelo mundo,que, com suas pancadas, foi moldando a ferro frio a pessoa que sou.
HASHTAGS:
#Assustadoramente, #HistóriaReal, #RelatosReais, #Memórias, #HistóriasQueMarcam,
#VidaReal, #Sobrevivência, #HistóriaDeVida, #ExperiênciaReal, #FatosReais, #MenteHumana,
#PsicologiaReal, #LimitesDaMente, #ColapsoMental, #InstintoHumano, #ControleMental

Comentários
Postar um comentário